segunda-feira, 30 de junho de 2008

Atemporal




(“Carta aberta aos senhores da política

Senhores da política:

Oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua oiçam o que se diz na rua senão qualquer dia estão no olho da rua a ouvir o que se disse na rua
.
Guidinha”)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

(...)

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

(...)


(Á.C.)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

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Parabéns Renata.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

"Sr. Milhões: A vida é estúpida."

terça-feira, 17 de junho de 2008

O espaço improvável

Às vezes fecho os olhos e sinto que há dois pólos antitécticos que me cercam: por um lado, as serras que não mudam nunca, com a sua perpetuidade e quietude, e por outro as águas do mar, nunca quedas, em permanente mudança e agitação.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

"-É do nono andar?
-Sim.
Quis pedir ajuda, mas a língua estava morta."

sexta-feira, 13 de junho de 2008

"Para quê fazer a multiplicação dos pães, se as bifanas já tinham ido pelo abismo abaixo?"




Carol: Não se esqueça que Jesus tinha imposição de mãos. Tinha um poder magneti- de magnetização muito grande. Portanto bastava ele com a imposição de mãos eeeeeeeh... É ou não é verdade, senhor Matos?


Manuel Matos: E expulsava os espíritos.


Carol: E expulsava os espíritos. Mas também que nneecessidade tinha ele, aicho eu, em Gardena, deee… dos possuídos, vá.. por ent-… esses espíritos negativos eeeh, de lançar esses espíritos para os porcos e os porcos foram todos para o abismo? Com o poder dele não podia dissipar isso tudo? Foi preciso ir prós porcos?


(Claro que só queria mostrar a minha obra-prima, feita na primeira aula de Literatura em que demos a "Aparição".)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

"Sonhos
Enormes como cedros
Que é preciso
Trazer de longe
Aos ombros
Para achar
No inverno da memória
Este rumor
De lume:
O teu perfume,
Lenha
Da melancolia."

(Carlos de Oliveira)

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Lonely Carousel


"It´s a look,
This game we play.
We can´t escape,
We have to attend.
It's life, you see?

When I have tried to amuse myself
To celebrate the funfair,
The pleasures I seek are far too discreet for me.

And all the time the world unwinds.
I can´t deny the way I feel.
The truth is lost
Beyond this lonely carousel.

And all these words, they mean nothing at all.
Just a cruel remedy,
a strange tragedy
Of what will be
After I try to discover the answers to why
To look for a meaning
Inside of this dreaming I have.

And words that I´ve said, they spin around
Waltzing alone inside my head.
Nothing will change.
It's always the same.
Please, make it stop.

And all the time the world unwinds.
I can´t deny the way I feel.
The truth is lost
Beyond this lonely carousel."

terça-feira, 10 de junho de 2008

Confesso

Falta-me alguma coisa.


E de cada vez que se abate essa certeza sobre mim, brutalmente sobre mim, eu leio, falo, vejo, rio, corro, grito, sem nunca conseguir dissipar esta angústia e este desespero de estar consciente.


"Fui sempre ridículo, mas nem sempre me senti ridículo. A vida foi sempre atroz, mas nem sempre a senti atroz. Quando me dei pelo que ela tem de atroz e de grotesco, de trágico e de grotesco, veio-me um vómito de tristeza. (...) Considerei-me abjecto. (...) Pior, pior... Olhei para mim, olhei para dentro de mim mesmo e ao mesmo tempo encarei a Vida. Com esta coisa prodigiosa que é a Vida, feita para a desgraça, para a dor, para o sonho - e que dura um minuto, um só minuto - e encontrei-me sórdido (...).
Não posso viver com isto, frenético e doirado (...). Não, não posso com este esplendor e esta abjecção, este ridículo e este desespero (...)."



E (também) daí vem o meu cansaço.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

"Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço porquê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta -
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!..."

(Álvaro de Campos)

quarta-feira, 4 de junho de 2008

"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço..."

(Álvaro de Campos)