terça-feira, 12 de maio de 2009

Voltei a

Ver Claro

Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.



(Eugénio de Andrade)

2 comentários:

Iluminada. disse...

Bem escolhido. Quantas vezes não queremos regressar?

Nehashim disse...

Pois é.. Tal é a nossa personalidade.